terça-feira, 2 de outubro de 2012


SOMOS FOLHAS NESTE OUTONO...

Cheiro de bons tempos...Há no olhar do povo de Tutoia um anseio por novos dias...Sei que não haverá por lei uma transformação, um revolução; e que corre ainda o risco de tudo permanecer completamente igual... Mas há um impulso que nos leva a crer na  novidade. Há uma consciência positiva diante dessa realidade que nos afronta com gritos autoritários...Há ainda um desejo consciente por esta mudança de estações...
Parece outono em nossas emoções...Folhas secas ao chão, descoloradas, sem vida, levadas pelo vento...Porém, arvores renovadas, revigoradas, dando novos frutos doces de provar...Céu de outono em nós...O outono se faz de nuances , de detalhes, de entrelinhas; não é óbvio e nem é para todos. É outono em nossas decisões. Observemos cada nuance que aparece , cada detalhe, cada reticência com jeito de ponto final. O outono é feito de pequenas revoluções...Não há nos dias e noites do outono, a exuberância do verão...Há sim serenidade na imensidão de detalhes que ele nos traz no anúncio do próximo sol...O outono não é uma estação apenas da natureza, não se faz fechado em sim, é quente e ameniza o frio; é frio e refresca o calor no coração...Como disse Nietzsche: ”Repara que o outono é mais estação da alma do que da natureza...”
E hoje nossa alma se faz outono, porque está chegando a hora de com  as cores deste outono desenhar no chão novos caminhos...É fato que as folhas caíram no chão, mas não porque quisessem ou assim desejassem estar, mas sim porque já era tempo de cair, mas sim porque chegou a hora de mudar.




segunda-feira, 1 de outubro de 2012







CAPÍTULO X

Hoje tem marmelada?


E encontramos os atores
Preparamos a encenação
O cenário todo pronto
Era a isca pro povão!

Me amarraram lá na ponte
E comecei a gritar !
Era de manhã cedinho,
O galo cantava baixinho
Bem longe daquele lugar...

Chamei tanto pelo diabo
E o encardido não chegava.
Ninguém ouvia meu gritos,
Ninguém mesmo me escutava.
Ia passando um menininho
pra tomar banho na fonte
chamei ele , implorei
pra ele vir até a ponte.
Ele se aproximou
E perguntou o que eu queria;
Eu lhe disse :Chame alguém, menino
Acabe com minha agonia...
“Mas nem sei quem é você;
O que faz aqui nesta ponte?
O que quer por aqui?
Você parece o Anacreonte!”

Mas eu sou é ele mesmo
Culumin burro, quadrado!
Será que não percebeu
Que eu tô é amarrado?
Foi um homem muito mal
Que me bateu e me amarrou;
Sabem quem foi que fez isso?
Foi estrelão que me maltratou!

“Mas estrelão? Aquele lá?
Ele é homem tão bonzinho...
Como pode fazer isso
Com o senhor? Ó, pobrezinho...
Deixa eu chamar minha mãe
Para lhe desamarrar


Cuidar de seus ferimentos
Inté a ambulança chegar...”

Lembro que o menino saiu
À procura de alguém
Eu fiquei lá amarrado
Procuraando uma ajuda também

Depois de uma hora então,
Vem o culumim com um facão na mão
Vem pra me desamarrar.
Passou o facão nas corda,
Me olhou com cara torta
E começou a gargalhar!
Acreditam que era o diabo¿
Rindo de mim, o safado
Disfarçado de menino
Só pra me sacanear.

“fui atrás de ambulança,
Mas tu só fez foi lambança
E esqueceu o principal.
Não tem como cuidar de ti,
Se tu não correr daqui
Vai ficar passando mal;
Te bati muito forte
Brinquei com a tua sorte
Não lembrei do principal.
Anacreonte, seu quadrado
Tu não lembraste , danado
Não investiu no hospital...
Lá só tem uma ambulança
E ta tão acabadinha
Que não dá pra acreditar
Mesmo assim, sem combustível...
Olha que coisa terrível!
Como tu vai te tratar?”

Que besteira tinha feito!
Agora não tinha jeito
Tinha mesmo que continuar.
Eu tava todo acabado,
Ferido, todo ralado,
Quebrado de tanto apanhar.
Era dramatização
Mas pra dar emoção, o diabo
 resolveu exagerar!

O povo lá do lugar
Não acreditava em mim;
Ai, ai, ai, como eu pude
Descer o nível tanto assim?
Saí da ponte gritando,
Berrando e esperneando:
“alguém pode me ajudar?
Meu povo, eu fui sequetrado
Olhem só o meu estado
Estrelão mandou me pegar!”
O povo nem confiança,
Eu perdi a esperança,
O plano não funcionou.
E agora, seu  desgraçado?
O que fazer com esse estrago?
Olha o estado em que me deixou!

“eu¿a culpa agora é minha?
Há há há já chega, chega!
A idéia sim foi minha
De fazer a mentirinha
Só pro povo se enganar;
Mas não conclui o plano
Por causa de um engano
Que esqueceu de me avisar.
Por que não disse Anacreonte,
Por que não me disse ontem
Que num prestava o hospital?
Que  culpa  eu tive então?
Eu não sabia que o bobalhão
Ia ficar passando mal...”

E o diabo falava e ria
E agora o que eu faria?
Tava quase no final...

O diabo disse novamente
Tenho uma  idéia bem quente:
Será que vai funcionar?

Vai pra lá com tuas asneiras
Tu só sabe fazer besteira.
num vou nem me alegrar

“Escuta aqui, Anacreonte,
Como eu te disse ontem
Sou o rei da atuação.
Eu pensei em novo plano
Nesse não tem engano
É coisa boa pro povão!
Vamos armar um circo!
O povão adora isso!
Circo para alegrar...
Circo com muita marmelada
E também com palhaçadas
Para o povo se enganar...
Desviarão o foco de tudo,
Não lembrarão nem um minuto
Do gigante estrelão.
É essa a minha idéia
E amanhã será a estréia
do circo para o povão!”

lembro de tudo, tudinho
saímos pelos caminhos
programando as atrações:
o palhaço Pinoquito,
o dançarino mosquito,
os mágicos mequetrefes.
Mas a principal de tudo
ia deixar o público mudo:
era o número das diabetes!

O diabo disse sorrindo:
“As diabetes já estão vindo
Para a apresentação;
Trajarão roupas iguais,
Elas são sensacionais,
Vão conquistar o povão!”

Mas o que é que elas fazem?
O que irão apresentar?
Qual a especialidade?
Mágica, danças, maldades?
Dá agora pra falar?

“Ah, elas são tão poderosas,
Na verdade mentirosas,
Pois puxaram para mim.
Fazem numerologia
Com os números, feitiçaria
E adoram um din din!
Adoram puxar meu saco
Riem, dançam, um cambalacho!
Tudo elas fazem por mim!”

Quer dizer que a especialidade
Dessas tal de diabinhas
É viver pra te agradar?
Coitadinhas das bichinhas...
E se acaso eu me danar
Perder o jogo, vacilar?
Pra onde irão as diabinhas?

“ora, ora, vão comigo;
Não tem nada  a ver contigo...
Comigo irão voltar...
Para o quinto dos infernos
No verão ou no inverno,
Vão ter que me acompanhar!
Pois se tu perder a tal guerra
Aqui não haverá para elas
Nem mesmo um só lugar...
O circo será desarmado,
Cada um no seu quadrado
Vamos ter que nos conformar!”

Mas acaso se eu ganhar
O circo vai continuar!
E elas serão as estrelas
As atrizes de primeira!
As melhores do lugar!

E o circo foi armado...
Tava tudo enfeitado
E o povo a esperar...
Pelas ruas da cidade
todo mundo, na verdade,
tava doido pra ir olhar.

Preparei a maquiagem,
ensaiei as traquinagem
para o povo gargalhar.
era eu o Pinoquito
o palhaço esquisito
que ia se apresentar...

“Hoje tem marmelada¿
Tem sim senhor!”
E será dada de graça
Marmelada no meio da praça
Ôba, ôba, o povo gritou!

Tinha achado a solução:
Marmelada pro povão!
Tinha achado a solução:
Marmelada pro povão!





















sábado, 29 de setembro de 2012



CAPÍTULO IX

E, sem amuleto...
...O diabo dá um jeito!


Eu, aqui no quarto escuro ,
Inda lembro muito bem:
Aqueles dias que antecederam
Foram de aflição também.

Já bem perto do grande dia
Eu andava desnorteado,
Perambulava pelas ruas,
Andando pra todo lado...

Ninguém me cumprimentava,
Ninguém mais me aplaudia...
O amuleto  eu não encontrava
Eu sem saber o que fazia...

O povo, passado o efeito
Da hipnose, do encantamento,
Me olhava desconfiado
Era um grande tormento...
e o cão, amigo da onça,
só caía em mim de jumento!

Lembro ainda que eu sozinho
Nadando no rio de grana
Ficava a imaginar
Como seria bacana
Ficar de novo no poder
Eita, como eu era sacana!

Vou contar a vocês todos,
Em contagem regressiva,
O que aconteceu, dia após dia
E toda minha perspectiva.
Vou contar como se deu
A semana antecedente
Ao dia do grande duelo...
Foi uma semana bem quente!
Eu andava pela praça,
Desconfiado e sem jeito,
Não tinha mais nenhuma idéia
Nem uma mágica, nem grandes feitos
E , nutrindo grande esperança,
Murmurava desse jeito:

Ôba,ôba, tá chegando
O grande dia, a grande hora,
O duelo dos gigantes
Quem  será que fica de fora?

Que nervoso, que agonia
Aparece, irmão cão!
Precisamos de grandes idéias
Sozinho faço nada não!!!!!

“TÔ aqui, seu bicho burro!
Vim de novo te ajudar;
Mas vou logo adiantando
Corre o risco de babar!”

Babar o que, seu cão maldito?
Não entendi o palavreado!
Tô preocupado com o duelo
E não com o que tá babado!

“babar é afundar o barco
Se acabar tudo, perder o rumo...
E te digo logo também:
Se tu não ganhar , eu sumo!”

Ah, vai me abandonar
Se acaso eu não ganhar?
E eu,o que farei 
Se acaso vacilar?
Como farei com o rio,
Com a grana e tudo mais?
Como cuidarei de tudo
Se tu não tiver comigo, rapaz?

Ele deu uma gargalhada
um minuto a gargalhar.
Mas tu é burro de verdade...
Inda não entendeu o que estou a falar¿
Se acaso não vencer,
Nada disso teu será!
Perderás a grana querido...
E, perdendo tudo isso,
Perderás também o amigo...

Pensei que éramos amigos
De amizade verdadeira...
Mas agora vejo que tudo
Não passa de baboseira...

Gargalhou o desgraçado
E disse com voz bem rasgada:
Não sou amigo de ninguém...
Eu sou é o diabo, camarada!
Não gosto de nhem nhem nhem,
Gosto mesmo é da lambança!
Se tu não ganhar o duelo,
Sinto muito, mas tu dança!
Dança...Dança de verdade!
Por isso, temos que pensar logo
Na próxima grande maldade...
Uma magia , uma macumba
Um diabo a quatro
Ou um quatro a diabo!
Vamos nos concentrar,
Lá naquele quartinho
Teremos grandes ideias
Pra enganar esse povinho...

Lembro que era já noite,
A lua alta brilhava...
Fomos à casa do diabo,
O pensamento voava...
Não aguentava mais pensar,
Chega doía a cachola;
Eu chamava o tal do cão,
Ele do meu lado, não dava bola...
Ficamos em silêncio profundo
Por quase uma meia hora...

Ele disse:Pronto , achei!!!
Achei a tal solução:
Vamo armar uma cena
Sou  o rei da atuação!
Vamo logo ensaiar,
Começando por você:
Fingirás um  grande sequestro
e o sequestrado será você!

Mas, eu?Por que serei eu?
Acaso quer me matar?

Não, seu jegue, é uma mentirinha
Pro povo se emocionar...
Preste muita atenção:
Serás a vítima da encenação...
Uns homens te levarão
Pra um lugar bem distante,
Te jogarão dentro do rio,
Com as perna amarrada na ponte;
Tu gritará, berrará, desesperado
Mas capricha de verdade
Pra que o povo fique emocionado...
Depois de horas sofrendo,
E o povo,surpreendido,
Ouvirá teu depoimento
E tu acusarás o inimigo...
Dirás que foi o estrelão
Que fez aquilo contigo!
E o povinho tão burrinho,
Abanando o rabinho,
Voltará arrependido...

E todos de adorarão!
E todos aplaudirão!
Irão crer de verdade
Na maldade do Estrelão!!!
E  aí,Anacreonte?
Gostou da  ideia ou não?

Claro que sim, é isso mesmo!
Vamo logo agilizar!
Eita que o gigantão
Não perde por esperar!

E saímos atrás dos atores
Da nossa grande armadilha
Eita, que o grande duelo
Será uma maravilha!

Ôba, ôba, que legal
Que idéia genial!

 Ôba, ôba, que legal
Que idéia genial!





















sábado, 15 de setembro de 2012






CAPÍTULO VIII


A TROCA ...
...O PERIGO SAI DA TOCA!


Ai, ai, ai, quanta alegria
Estava quase tudo certo
O povão continuava besta
E eu bonito e esperto

Passei todos esses dias
Maquinando, enquanto era tempo...
Já era quase o grande dia,
Tava chegando o grande tempo!

Que aflição, que agonia;
Precisava me apressar,
Reunir o meu povão
E outras mentiras contar.

Meu irmão, tinha sumido!
Era o diabo ali chegando;
Me assustou o desgraçado
E eu continuava andando.
Chegou outra maletinha
Eu  despejei lá no riacho
Quando tu for lá buscar
Vai ver um papelzinho embaixo
O papel é a notinha
Do valor que tem na mala,
Dos milhões que ainda tinha
O restante ta na sala.
Mas como é muito dinheiro,
Que tu guardou desde abril,
Pega só o que puder
E joga o resto no barril
E depois nós dois resolve
Onde bota os outros mil...
Agora vai te arrumar,
Tu tem que falar com o povo!
Anacreonte, irmãozinho
Tu tem que ganhar de novo!
Se por acaso não ganhar
Como será , o que vai ser¿
Tu mesmo "até que até"
Mas a patota, o que vai fazer¿
Puxa-saquismo não é emprego  
Tu sabe bem que não é
E como é que vai ficar
Esse bando de Mané¿

-Eu que sei¿TÔ nem aí!
Vão ter  é que trabalhar
Mas nunca que vou perder!!!
Tá tudo certo, eu vou ganhar!
Tua macumbeira num afirmou
Que num era pra eu ter medo
Que eu ia ficar onde estou?
Mas macumba é coisa minha,
Eu não sou de confiança;
Sou o rei da embromação,
Gosto mermo é da lambança!

E saímos em disparada
Para a pracinha central,
Eu tava muito agoniado
Quase passando mal!
Tava indo falar com o povo
Sobre me ajudarem agora,
Mas quando cheguei na praça
Quase que ia me embora
Só e somente a patotinha
Me aguardava àquela hora
Cadê o povo, minha gente?
Que ainda não apareceu...
Ai, ai, ai, que agonia
Assim não fico nem eu

Mas eu me mantive firme,
O diabo aproximou-se,
Deu um riso escândaloso
Que a patota espantou-se!

Pra que tanto desespero,
Irmãozinho tão amado?
Devias ficar tranquilo
Tens o diabo do teu lado!
E eu tenho grande ideia
Tu num vai acreditar!
Vamos lá na minha casa
Que nós se ajeita já, já.

E fomos até a casa,
Reparar a surpresinha
O que tinha diabo feito
Pra enganar a gentinha?
Quando chegamos na sala ,
bem pertinho dos milhão,
O diabo nada dizia
Só apontava pro chão;
Praquele monte de grana
Não dizia nada não...
-O que quer dizer, maldito?
Me diz logo, sem demora
Preciso falar com o povo
E tem mesmo que ser agora!
Anacreonte, seu bobão
Tu tens grande aliado
Cadê o teu amuleto?
Onde o deixaste alienado?

Onde estava o amuleto?
Ai, ai, ai,ali não tava
Procurava em toda parte
Procurava, procurava...
-Eu não sei onde botei
E agora, capiroto?
Sei lá, repara direito
Se num tá aí no teu bolso!

Tinha perdido o amuleto
E perdido agora eu estava;
Como fazer grandes feitos
Para o povo que me esperava?
E a hipnose se acabasse?
Ai, ai, ai como eu sofro!
Disse o cão com as mãos pra cima
E gritava o capiroto!
Diacho burro, tu é doido?
Não sabes que é o amuleto
O  que segura aquele povo?
Ah, mas tem outra coisinha
que o povo gosta demais:
É de dinheiro, maninho,
e isso tu tem demais!
Chama aí um dos teus trouxas
e bota pra trabalhar,
pra ir na casa do povo
vamo ver no que vai dar...
  
E assim foi que eu fiz :
Durante alguns dias
O meu trouxa ia que ia
Fazer o povo feliz.

Batia bem na portinha
Das casas mais pobrezinha
E deixava umas notinha
E convidava também
Para virem no encontrão
Dali a 5 dias, então
Não podia faltar ninguém.

Mas que jogada de mestre!
Xeque-mate, dez a zero!
E agora, estrelão?
Te derrotar é o que mais quero!

Depois de ganhar dindin
O povinho, alegremente,
No dia então marcado
Tava lá todo contente!
Aplaudia, ria, gritava,
Chamavam pelo meu nome;
E eu, lindo, acenava
Pro bando de morto de fome!
Era gente, mais era gente
Êta povinho errado!
A praça ficou lotada
Era gente pra todo lado!

E assim me pronunciei:
Boa noite minha gente;
Inda bem que vocês vêi!

Tô aqui pra garantir
Que se vocês me ajudarem
Farei muito grandes feitos
Pra seus problemas melhorarem!
Estão vendo esta cidade?
Está mudada, podem notar;
É asfalto, escolas novas
Saúde melhor não há!
Faço de tudo por vocês
Então vão ter que me ajudar!

Os salários tão em dia,
Tem água de qualidade,
Tem merenda nas escolas!
Isso é governo de verdade!

Tá todo mundo lucrando
Com essa minha governança
Adulto, jovem, senhora
Senhores, meninos, criança.
Sou pra todos o melhor,
O caminho, a esperança.

Não se zanguem, nem se aborreçam
Meus professores amados,
O que fiz com os milhão de abril
Foi só um cálculo errado!
É que não sei muito contar
Nem medir, nem calcular
E o dinheiro veio errado...

Mas tudo devolverei
Quando outubro chegar!
Prometo, faço uma jura
Vou aprender calcular!
Agora, aplausos pra mim
Foi pra isso que os paguei!
Isso mesmo, agora sim!
(Inda bem que o povo vêi)
O diabo tava ali
Só olhando a palhaçada
Aplaudia, pulava, ria
Sentadinho na calçada!

Despedi-me, alegremente
Mandei beijos, que emoção!
Eu estava confiante
E tomei uma decisão:
Se eu não achasse o amuleto:
MAIS DINHEIRO PRO POVÃO!
Tinha achado a solução :
DINHEIRINHO PRO POVÃO!
Tinha achado a solução :
MAIS DIN DIN PRO MEU POVÃO!














sexta-feira, 7 de setembro de 2012








CAPÍTULO VII



O ACORDO


Sete e sete são quatorze
Com mais sete vinte e um
Tenho um monte de dinheiro
E o povão num tem nenhum!!!

Eu que fiz esses versinhos
Do fundo do coração
Ia feliz pelo caminho
Com minha maleta na mão

Num supapo, estanquei!
Eita que eu num me lembrava!
Aquele dia era importante
E eu despreocupado estava!

Era sete de setembro
E eu tinha um compromisso.
Ai, ai, ai o que eu faço?
Como posso guardar isso?
Olhei pra maleta do lado
E olhei pro meu caminho
O povão se aproximava
Vinham ligeiro, ligeirinho
Olhei para o lado, era só mato
O que faço com o dinheiro?
Ai, ai, ai que embaraço!
Onde está meu companheiro?
Ô, maldito cadê você?
Justo quando mais preciso
Ele decide se esconder.

Era sete de setembro
Só ouvia era tambor
O povo vinha marchando
Pro meu lado, que horror!

Que diabos era aquilo?
Eu tinha que me esconder
Será que iam me matar
Ai, que eu não quero morrer!

Papai,me acode
Irmãozinho vem cá!
O que eu fiz de errado?
Por que querem me matar?

O diabo, em cima do muro
Na esquina,ria e ria


Te acalma, Anacreonte
Não precisa essa euforia!
O povo só quer te ver
Num carece essa agonia!
E de longe eu avistei
O gigante, o Estrelão
Liderava o alvoroço
Pisava forte o gigantão!

E os tambores tocando
No palanque me aguardavam
Tentei passar pelo meio,
Mas as pessoas não deixavam

Começaram a me empurrar
De um lado para o outro ,
Desataram a falar
Ai, ai, ai, que alvoroço!

Perguntei o que queriam;
Disseram: Nossos direitos!
Respondi: Cês tão no morro
Tô fazendo grandes feitos!

Estrelão se adiantou
E falou com voz gigante:
Também vim te dar um aviso
Um aviso importante

Pode dizer seu grosseirão
O que quer me avisar?
Por acaso,vem me dizer
Dia e hora de me matar?

Matar? Ora, só fala em morte!
Da morte já te livraste,
Tu é um cara de sorte!
Vim aqui só te lembrar
Que o povo não te quer no poder
A não ser tua patotinha,
A famosa panelinha
que tá cega de doer!

Falando nisso, o que fizeste?
Pra enganar parte do povo?
Por acaso tens dado dinheiro
Carne, batatas , ovo
Alguma dessas besteirinhas
Que dão pra enganar o povo?

Fala logo o que tu quer
Perguntei ao Estrelão
Ele se zangou comigo
E me deu um empurrão

E me disse assim no sério
Eu só vim te avisar
Que daqui a 30 dias
Nosso duelo acontecerá
Faltam apenas 30 dias
E então nós saberemos
Quem esse povo vai querer
Se Anacreonte, ou Estrelão
Tudo se firmará, então.
E vim firmar o acordo
Do resultado do duelo
Se acaso tu ganhares,
Que é o que eu não quero
Largarás de mão o diabo
E também esse chinelo!
Caso eu ganhe, que maravilha!
Eu farei uma proeza
Te mandarei junto com o diabo
Do inferno serão a realeza
Gostaste do acordo?
Não achaste uma beleza?

Eu respondi com atenção:
Como ganharei, decerto,
Estamos de acordo feito
Faz aí a papelada direito
Pra nóis poder assinar
Dá aqui a papelada
Não tenho medo de nada
Porque sei que vou ganhar!

Depois de tudo assinado
O diabo pulou do lado
E começou a me enforcar
-Estás louco, Anacreonte?
Caíste na do gigante?
E se acaso não ganhar?

-Tô nem aí,irmãozinho
Tô juntando um dinheirinho
Pra poder me assegurar
Amanhã compro umas coisinhas
Avião, carros, casinhas,
E pobre não vou ficar;
E tudo que aqui ficar,
Se acaso eu não ganhar,
Podem em tudo tocar fogo
Que falta não me fará!

E o povo foi se afastando,
E a tambozada tocando;
Eu saí quase apressasdo
Pro compromisso agendado
Não podia  mesmo faltar.
Tinha que ler meu discurso
Hipócrita, pobre e fajuto
Que fiz pro povo enganar.
Mas eles bem atentos estavam
Aos que ali se apresentavam,
Em honra nem sei de que.
Dizem que da independência
Eles nem tem consciência
Que isso nunca irão ter

E ERA BRILHO, CORES E DANÇAS
E eu ali na lambança
Olhando o povão passar...
A 30 dias do GRANDE DIA
O diabo de tudo sorria
Comecei a me preocupar...
O que faria pro povo?
Precisava ganhar de novo
E NO PODER CONTINUAR!

PENSAVA NA SOLUÇÃO
PRA ENROLAR O MEU POVÃO!!!
MIRABOLANTE SOLUÇÃO
PRA ENROLAR O MEU POVÃO!!!















quinta-feira, 6 de setembro de 2012


(Anacreonte Ôba Õba - Idealizando Ilustrações de capa.By: Tiago José Carvalho)



CAPÍTULO VI



O  RIO



É isso aí, é isso aí
Já tá tudo dando certo
Descemos a duna de areia
O diabo tava bem perto.
Com a mão no meu ombro  dizia:
Como meu irmãozinho é esperto!

Olhei pra ele assustado:
E os concretinhos, cadê?
Nós deixamos lá seu diabo!

Ia voltando pra pegar
Quando ele me puxou pelo braço
Te acalma, meu irmãozinho
Deixa de embaraço!
Estão aqui no amuleto
é só mágica tu te lembra?
Hipnose, daquele jeito
Pra fazer teus grande feito!
Vamo lá, anda ligeiro
Que o povo ainda te espera
A criancinha na rua
A velhinha na janela
Todo mundo ansioso
Seja muito astucioso
Nesta etapa que te espera

Eu não podia esperar
Era o meu grande trunfo
Peguei o amuleto na mão
E a rezinha vinha junto
Em um passe de magia
Bem da noite para o dia
Transformei toda a cidade
Todas ruas de areia
Agora tavam calçada
e o a gente abestada 
era só felicidade!

O melhor de Tudo isso
é que tudo era mentira
E o povo acreditando
E eu, cansado, só as tira
passei todos esses dias
trabalhando igual jumento
pra esse diabo, meu irmão
que tomou todo o meu tempo

Eu queria era  dinheiro
Até ali num via nada
Só obedecendo o diabo
Pra mim mermo nada sobrava.
Ele ia gastando o dinheiro 
Que ele mermo me trazia;
bebia cachaça, fumava cigarro
Dançava, namorava e ria.
E eu? Cadê minha parte?
Perguntei ao  desgraçado.
Ele jogou uma maleta
Bem levinha, ah disgramado!
Quando abri aquela mala
Tinha uma vara de pescar.
Pra que diabo eu quero isso?
Tu  quer é me fazer trabalhar?
Pescador um dia eu fui
E jamais voltarei a ser!
Pega tua vara de volta
E pode me esquecer!
Eu já tinha até decidido 
de tudo mermo desistir
E o diabo, desgraçado
Começou foi a sorrir.
É melhor tu ir pescar
Se eu fosse tu ai, mas eu ia
E o diabo me empurrava 
lá pruns matos e sorria...

Andamos mais sete léguas 
e demos de cara com uma ponte
Apreciei a paisagem
Olhei aquele horizonte
E quando olhei para baixo
Pra baixo daquela ponte
Não sabem o que aconteceu
Vão adorar que lhes conte!
Um imenso rio surgiu
Mas num era rio verdadeiro!
No lugar de muita água
Tinha só o puro dinheiro!
Pulei alto de alegria
Nunca vi tanto real!
Eu num rio de dinheiro 
e o povão no lamaçal!

E o diabo, rindo, disse:
Só pega se for com a vara!
Vais ser pescador de novo
Será que essa tu encara?
Sempre que precisar 
e estiver muito estressado
Bota teu chapéu de palha 
E a vara de pesca do lado
E te manda aqui pra minha casa
(Esse aqui é meu quintal)
Vem buscar um realzinho
Não é uma ideia genial?
Foi magia do amuleto
Eu que peguei emprestado
Mas não se aborreça, irmãozinho
Não fique muito chateado
Já tá aqui , já lhe devolvo
O amuleto encantado!

Chateado? Nunca, jamé!
Eu tô muito é abismado
nem sei como agradecer
Meu irmãozinho desgraçado!

Pesquei tanto que cansei
Enchi a mala , me mandei
Tinha que relaxar
pensar na nova sacada!
o diabo ficou em casa
De longe só me acenava!